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produção acadêmica sobre blogs 19 Maio, 2008

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Raquel Recuero organiza o BlogBrasil, wiki de artigos e estudos de pesquisadores brasileiros sobre a blogosfera e seus impactos sociais. Ótima fonte de trabalho.

120 anos de abolição e ainda lutamos por ela 14 Maio, 2008

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Me sinto com a alma lavada com esse manifesto pró-cotas, no dia em que comemoramos 120 anos de abolição. Há trechos fabulosos, como este:

O discurso dos adversários das cotas não se caracteriza exatamente pela coerência. Primeiro, quando as cotas são constituídas a partir de uma lei estadual - aprovada por quase a unanimidade dos representantes do povo – sancionada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, os adversários defendem a autonomia universitária e recorrem à Justiça; quando essas medidas são adotas por conselhos universitários no uso de sua autonomia, eles novamente recorrem à Justiça. Dizem reconhecer que os negros são discriminados – portanto, identificáveis–, mas afirmam que não é possível identificá-los para fins de ação afirmativa. Argumentam enfaticamente que raça não existe, mas defendem a “democracia racial” (?) e a “miscigenação”, ou seja, a mistura das mesmas raças que sustentam não existirem. Ao mesmo tempo, negam que a miscigenação é uma multiplicidade de cores, de conhecimentos, de possibilidades criativas. Dizem que a educação é a solução, mas não se engajam com o mesmo vigor nas campanhas pela melhoria do ensino público e se mobilizam contra a democratização do ensino superior”.

jornalismo online e o mito do texto pequeno 12 Maio, 2008

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Ao contrário do que apregoa muitos manuais, quem acompanha diariamente o desenvolvimento do jornalismo online, já verifica que o jornalismo online já deixou de ser, há um bom tempo, sinônimo de “texto curto”. A minha hipótese é a seguinte: o texto online é do tamanho que comporta a história do fato. Tudo isso graças a memória é ilimitada no online, só existente no jornalismo online (como nos ensina o Marcos Palácios).

E pelo que se vê, o online tem optado por histórias longas nas suas principais informações de capa. Hoje li a notícia de capa do Globo Online, Mãe de Isabela acha que a filha foi mora por ciúmes dela. A opção do jornal carioca é verticalizar bem o texto, sem se preocupar com a quantidade de scrolls. A história é longa e muito hipertextualizada, porque o fato é de grande repercussão e tem já muita informação. Mas se fosse um fato ainda com “pouca história”, mas bem apurado, o texto seria mais curto.

Vou continuar a desenvolver essa hipótese nos próximos posts.

pensar é esquecer diferenças 11 Maio, 2008

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No final do conto “Funes, o mentiroso”, de Jorge Luis Borges, refleti sobre a sua frase seguinte:

“Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, é abstrair” (Borges).

Fiquei a interpretar, se o homem prático, que tem paixão pela ação, por querer sempre os detalhes das coisas, não é condenado ao não-pensar e, com isso, a ausência de projeto de vida. Por outro lado, ao somente pensar, ao esquecer as diferenças, o homem intelectual não ficaria sempre condenado a um projeto transcedente?

Questões.

Sim às políticas afirmativas 11 Maio, 2008

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Como muitos já sabem, a cultura brasileira está sob ataque. Um conjunto de pessoas resolveu impetrar ação no supremo contra as políticas afirmativas (para negros e indígenas) e contra o Programa ProUNI. Agora, um conjunto de outros atores lançam manifesto e uma formulário favorável à adoção de medidas sociais que ampare o estrago que a escravidão produziu no Brasil.

Assinem o manifesto, por favor!

o que é cibercultura? 7 Maio, 2008

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Não, não se trata de uma referência explicativa ao livro de Pierre Levy. Na verdade, cheguei cedo hoje em São Paulo. Aí, comecei a ler, no aerporto mesmo, um texto do Erick Felinto (UERJ), intitulado Sem mapas para esses territórios: a cibercultura como campo de conhecimento. O paper está na coletânea Novos rumos da cultura da mídia, organizada pelo João Freire e pelo Micael Herschmann, ambos da ECO-UFRJ.

No texto, o Erick apresenta um texto de Jakub Macec, que busca definir os conceitos de cibercultura e, em seguida, opera um entendimento próprio sobre o tema. Eu gostei muito da dimensão metodológica que traz o texto do Maceb e do Erick. Na síntese, os conceitos de cibercultura são entendidos como:

— a cibercultura como projeto utópico.

— a cibercultura como interface cultura da sociedade da informação.

— a cibercultura como práticas culturais e estilos de vida

— a cibercultura como uma teoria da nova mídia.

Quem se interessar, busque o livro e leia o texto do Erick. Ou, na web, leia o texto do Macec, denominado Defining cyberculture.

uma nova ecologia midiática 6 Maio, 2008

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Para quem curte o debate sobre a reestruturação midiática contemporânea, vale à pena uma reflexão sobre esse diagrama abaixo (construído por John Hiler), que mostra o forte hibridismo (ou simbiose, como é afirmado) entre a atividade jornalística e a interatividade com o leitor/usuário. A tese é conhecida: as redes sociais e os blogs alargariam o campo jornalístico, difundido e debatendo as histórias que circulam no mainstream midiático.

Contudo, há também um trabalho autônomo de jornalismo: reportagens testemunhais, checagem de informações divulgadas pela imprensa e análises em geral.

Mas o importante é a simbiose mostrado no diagrama. No centro, os jornalistas de diferentes veículos. Estes continuam atuando de forma clássica: cultivar fontes, que lhe oferecem informações e histórias. Na base, novos ecossistemas de comunicação, marcados por veículos impulsores de idéias e notícias. Esses canais são, na verdade, novos circuitos de difusão, como comunidades de conversação e relacionamento (orkut, facebook, msn etc), sites de notícias colaborativas, mídias pessoais (como blogs) e redes sociais de trocas p2p (bittorrent, youtube etc).

Essas informações, processadas por jornalistas, acabam retornando para o público na forma de histórias. Essa retroalimentação contínua constitui a própria base do ecossistema da mídia online.

sobre a ciberpolítica pós-Obama 5 Maio, 2008

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Para quem curte o debate sobre ciberpolítica, segue um ótimo artigo (em inglês), de Crawford Kilian, sobre o impacto da internet nas campanhas eleitorais e na vida política em geral. O artigo é motivado pela exitosa campanha de Barak Obama (em particular, o uso exacerbado da internet).

Destacam-se no artigo alguns argumentos:

  • Clinton e Obama (mas sobretudo Obama) estão a explorar a web para arrecadar dinheiro e recrutar voluntários. Detalhe: essa história de mobilização de um “novo militante” - sem muita ligação ou filiação partidária, mas que participa entregando panfletos, reunindo-se com pequenos grupos etc - é algo muito interessante e, me parece ser, uma dimensão multitudinária própria da internet.
  • a tese é que as tecnologias interativas criaram um novo ambiente político, em que a comunicação é de mão dupla (two-ways). Assim, o marketing político deve, cada vez mais, adotar estratégias interativas nas campanhas. O público quer participar. Ele quer se engajar. E o começo é sensibilizando o público através da internet, principalmente, os estudantes, que têm tempo de sobra para se voluntariar.
  • público de internet adora mashup video, uma nova linguagem também já adotada pelos candidatos democratas. É muito legal ver um vídeo de um discurso de um político todo cheio de referências, que vão de letras de músicas a fragmentos de outros vídeos, numa montagem criativa feito pelos próprios usuários, muitas vezes. Ou um político em diálogo com uma cena de um filme qualquer. Essa mistura de linguagens é muito legal.