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Por que sou a favor das cotas? 1 abril, 2006

Posted by Fabio Malini in Ufes.
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1. Minha origem social é negra e pobre. Não há aqui nenhuma vitimização. Só identidade de classe. Passei em segundo lugar na Ufes, em quinto no Mestrado e em primeiro no Doutorado. A origem social não diminui a capacidade cerebral de ninguém. Diminui as oportunidades. Para entrar na Ufes, a mensalidade do meu cursinho foi paga por um "condomínio de sócios" (rs). Mas quase desisti. A família pressionava para trabalhar, pois a comida era escassa e a dívida era exorbitante. Me destacava na sala de aula porque, enquanto meus colegas estavam num hedonismo (que inveja que tenho disto!), eu devorava tudo que passava. Era rato de biblioteca! Sabia que não teria privilégios. Se ficasse resignado à elite branca, não perfuraria o muro do clube dos privilegidos, que faço parte hoje. Ninguém respeita a classe social, mas todos se calam à inteligência.2. Não acredito em mestiçagem. Invenção muito bem orquestrada na definição da cultura brasileira (se há isto, né!). A concepção de mestiço foi uma boa maneira para criar a ideologia do convívio pacífico entre as raças. Coisa linda. Acabou estruturando a transformação das massas excluídas (frequentemente negras) em homens cordiais, homens docilizados. "Claro, senhorzinho, sou igualzinho a vc, q tem tb um pezinho na cozinha!". Se não fosse (e é) a mestiçagem, cabeças iriam rolar nesse país. A mestiçagem transforma as diferenças e as transforma em uno. No Brasil, como dizia Caetano, "preto é preto, branco é branco, e a mulata não é a tal." Então esse papo de dificuldade de estabelecer que é negro no país porque somos mestiço é uma farsa covarde. É a penúltima carta na manga para evitar que privilegiados continuem privilegiados. Tenho um filho branco dos olhos azuis (ah! adoro meu filho). Se ele não passa na Ufes, quando fizer o vestibular, como integrante da classe média, mando ele para o RJ, SP, até para o Japão.

3. As desigualdades sociais no país tem cor: é negra. Temn gente que não sabe o que é ser pobre, estatisticamente. É o sujeito que está numa família com renda per capita igual ou menor que R$ 175 reais. Em uma família com 4 integrantes e que tem uma renda de R$ 700,00 é considerada como pobre. O ES tem 40% de pobres (ou seja: 1,2 milhão abaixo da linha da pobreza). Olha que essa turma é soente parte dos alunos que estão nas escolas públicas. Se quiserem discutir uma pouco mais, é o seguinte: o IPEA publicou em 2001 um estudo sobre desigualdades e raça nesse país mestiço. Resultado: 40% da população do país é negra. Contudo, 60% dos pobres são negro. Os brancos representam 85% dos mais ricos. O Brasil branco é três vezes mais ricos do que o Brasil Negro. A média de anos de estudos dos brancos é de 9 anos. O do negro5. QWuse o dobro. 97,7% dos negros no país com 25 anos ou mais (ppopulação adulta) não ingressaram no ensino superior. Está tudo no estudo. Para piorar a situação a Universidade Federal tem uma composição etária nada coincidente: 70% dos alunos são brancos. Por que será? Seria os brancos mais inteligentes? "Não tivemos ensino de qualidade", dizem. "É só por isso", continuam a dizer. Mas por que tiveste ensino de qualidade? "Por que temos renda e não defendemos a escola pública. Não queremos nem saber da escola pública. Isso é problema do Estado. Já basta o imposto que eu pago". Mas por que tens renda maior? "Por que temos os melhores cargos e profissões", argumentam. Mas só por isto? "Não, sabemos ganahr dinheiro e sonegar tb". Ah!!!. "Além disto, graças a Deus, o país libertou os escravos, que tiveram filho, neto, bisneto, tataraneto que continuam e vão continuar os mesmos." E esse pessoal aceita tudo assim na boa? "Não, não.. foi uma luta para criar a cutlura da mestiçagem. E quando a coisa aperta criamos política de educação profissional para eles. Pobre (negro) trabalha desde cedo pra gente, vc sabe, meu senhor, a gente acorda tarde…" Ou mudamos agora ou não mudamos nunca.

4. Não há gênios na Universidade. Estudante de escola pública não faz cair o desempenho, muito menos, a qualidade acadêmico. A UERJ, onde há cotas há mais e cinco anos, mostrou em estudo (publicado na Folha) que os cotados tiveram desempenho maior em todas as áreas e cursos. Logo, o mito já foi quebrado. Ninguém lembra do que aprendeu no cursinho. O conhecimento solicitado pelo vestibular não prova nada. O problema da Universidade é ela mesma. O seu corporativismo. Não é o neoliberalismo. É o fato de ter uma relação professor-aluno medíocre: 1 professor-11 alunos (entre oputras coisas, tipo professor não dá aula). Isto é um absurdo. Absurdo, absurdo.

5. Pelo fim do vestibular. O problema é o vestibular. O ideal é acesso para todos. Este é o ponto que une cotas e não-cotados. É necessário se mobilizar em torno dessa pauta. Fazer como os jovens franceses. Universidade para todos, já! Isto porque hoje ela é de qualidade, mas não é pública! Ela não é de todos!

Comentários»

1. levantandovoo - 2 abril, 2006

Valeu pela dica, mas eu não gostei muito dos outros modelos de blog.

E quanto aos aviões bimotores…
esta é uma das minhas pautas, mas ainda estou apurando. Pode deixar que vou comentar sobre o avião da TEAM que caiu.

Tatiana

2. Fabio Malini - 2 abril, 2006

Tatiana,

O modelo é importante. O fundo mais claro do que a cor da fonte facilita a leitura.

Espero posts dos bimotores. Podia falar sobre wi-fi lá no aeroporto.

E sobre promoções, muitas promoções…

3. Tata - 4 abril, 2006

Meu receio é que de cota em cota, passemos a viver em uma tirania de cotas. Além disso, a danada da má-fé é antídoto poderoso para burlar qualquer política de cota: o filho de uma conhecida, oficial de justiça (que deve ganhar lá os seus 4 mil reais), pela manhã estuda no Darwin, e à tarde encontra-se matriculado em uma escola estadual, na esperança de que entre na universidade através da cota para alunos provenientes de escolas públicas. Drama.–>

4. Luiz - 19 junho, 2007

Porra, meu! tu não entende nem de Caetano Veloso?!??! não tem nada a ver sua alegação de defender cotas, e ainda por cima citar uma musica do Caê que fala dos AMERICANOS, USA!! Lá preto é preto, não é essa zona aqui! Essa objetividade (que no bojo sustenta a viabilidde de politicas afirmativas por etnias) é real lá nos States.

5. Luiz - 19 junho, 2007

E ainda cita uma pesquisa fraudulenta da UERJ, desmentida de imediato.

oque sustenta as universidades de ponta,. sejam públicas ou prvadas, são seus alunos de excelência. Se entrar burro, é claro que a instituição emburrece junto.

As unipubs estão no topo porque tem vestibulandos bem peneirados. é óbvio que se isso não acontecesse, estaria tudo perdido há séculos.

6. Preta - 29 novembro, 2008

adoreiiiii so kem ja foiii vitimaa de preconceito por sua cor e classe sociall sabe o ke ée issoooo…Luiz vc ja foi vitima de preconceiiitoo por sua cor?(ki alias nem sei..) entao keridooo fica caladooo..

“enkanto os leoes naum poderem contar historia,a historia sera sempre dos caçadores“(proverbio africano)

7. Guilherme - 30 setembro, 2009

O texto foi mal redigido. Você realmente tem Doutorado?


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