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em tese 23 dezembro, 2006

Posted by Fabio Malini in Sobre o virtual.
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O blog está paradinho porque estou finalizando minha tese de doutorado… em fevereiro volto.

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O comunismo da atenção 8 dezembro, 2006

Posted by Fabio Malini in Blogs, capitalismo cognitivo, copyflet, jornalismo, web 2.0.
2 comments

Bom…hoje terminou o ótimo evento sobre Capitalismo Cognitiv, aqui no RJ. Bom, nove fora ter ficado 12 horas no aeroporto, o que fez com que eu perdesse a palestra de Lazzarato (bom, pelo menos ganhei o livro dele: As Revoluções no Capitalismo), tudo foi muito bom porque pude sair do encontro com mais questões do que entrei. Foi bom rever também a turma toda da Universidade Nômade e da Global.

Preparei um artigo para o evento. Chamei de O comunismo da atenção, é sobre o fenômeno da web 2.o pelo prisma da teoria do capitalismo cognitivo. Quem quiser lê-lo, segue o texto em pdf, em doc para quem quiser ler. Queria colocar a versão openoffice (o editor que uso), mas o WordPress só permite doc (absurdo!!!!)

 

O que vimos é que as comunidades colaborativas da Internet produz um excedente comum para o trabalho. Um amplo reservatório construído a partir da cooperação social. No excesso, sempre há uma informação que acrescenta à vida. Eu sinceramente acredito que a interface gráfica do trabalho imaterial é o excesso de informação. Essa interface que muitos dizem que é poluída, porque excessiva, pra mim, vejo uma força positiva, porque expressa exatamente como o trabalho no capitalismo cognitivo se constitui: como uma atividade que produz e é produzido pelo excesso.

Não sei se estão notando a mutação nas páginas dos jornais. Antigamente, a gente tinha que construir uma narrativa de interface “menos poluídas pelo excesso”. Aliás, a gente tinha que fazer jornalismo baseado no gatekeeper, porque o jornal, a revista, a tevê, não comportava todo tecido social. Não tinha espaço. Por isso o jornalismo desenvolveu critério transcendentais de representação, através do valor-notícia, da objetividade, da imparcialidade, da defesa da justiça, toda essa parafernália moral que está em rota de colisão hoje porque esse tecido social opina, comenta, participa, briga, patrulha, colabora, narra, documenta, noticia, enfim, todo esse general intellect está transformando as relações entre jornalista-leitor. De forma, que nós, jornalistas, estamos tendo uma dificuldade enorme de formar um discurso consensuado sobre o mundo, porque a multiplicidade de fontes escapa a agendinha do jornalista. A longa cauda produz num ritmo absolutamente frenético e sem gatekeeper, já que a filtragem é feito à posteriori e não a anteriori, a partir da lógica de “muitos olhos, poucos erros”. Por isso que, por um lado, há o blockbuster e a grife Mirian Leitão, e por um outro, a Caia, uma das principais formadoras de opinião da nossa lista da Universidade Nômade, que acaba até se sobrepondo a outras figuras que teriam, notadamente, o poder da produção do conhecimento, no caso, nós pesquisadores e intelectuais presentes na lista de discussão. O excesso, portanto, provoca novas singularidades.

Mas eu estava falando sobre as interfaces jornalísticas. Sobre suas mudanças. Agora as páginas dos jornais online primam pelo excesso, quanto mais informação melhor. É uma disputa por atenção. Queria falar que é uma disputa tão ferrenha, que o Google está priorizando, quando fazemos uma busca, apresentar resultados dessa colabosfera comunista. Não sei se repararam isto. Se procurarem algo sobre capitalismo cognitivo, as primeiras páginas lhe remetem para blogs, wikipedia, youtube etc. É para tirar a atenção dos grandes portais e ficar com a atenção para si (Google), que cada vez mais está ampliando a sua carteira de top-minds: Blogger, Youtube, Gmail, Google Maps, Google Earth, Orkut, e assim vai… Gerir a atenção e não mais a audiência é o que busca o Google. É o modo básico do capitalismo cognitivo, produzir valores intangíveis da logomarca e se tornar proprietário desse comunismo da atenção. O Google já sacou que o ideal é ser dono do comunismo da atenção, enquanto as corporações midiáticos estão ainda na era do conteúdo. O conteúdo precisa ser liberado para que se possa existir novas mídias colaborativas, que serão compradas pelo Google.

É claro que a perspectiva do excedente faz parte de um processo de autovalorização do trabalho. Não é alguma coisa que a empresa deseja, ao contrário, ele busca constituir novos encercamentos produdutivos, delimitar o processo de difusão de linguagens, criar “linguagens comandadas”. Talvez as lutas em torno da propriedade intelectual expressem a parte mais dramática da relação entre trabalho e empresa no capitalismo contemporâneo. O Google talvez seja a mais inteligente das pontos com´s nesse processo inteiro.