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Rumo a Vitória. II Fórum de Mídia Livre, inscrições abertas! 8 novembro, 2009

Posted by Fabio Malini in Sobre o virtual.
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midialivreDesde o frutífero Fórum Social Mundial, em Belém, onde realizamos o I Fórum Mundial de Mídia Livre, presenciamos o inédito edital do Ministério da Cultura que premiou, mais tarde, 82 experiências midialivristas no país, e, ainda, vimos o presidente Lula anunciar a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, que começamos a trabalhar, em rede, na produção do II Fórum de Mídia Livre (FML), na capital capixaba.

Este ano, o Fórum de Mídia Livre será realizado, nos dias 04 a 06 de dezembro, logo após as conferências estaduais de comunicação. E terá a participação de ativistas, artistas, intelectuais, profissionais de comunicação, gestores públicos, empreendedores, estudantes, que debaterão uma agenda comum para os realizadores de mídia independente no país. O FML contará com desconferências temáticas, mesas de debate (propostas pelos convidados através da internet), oficinas de produção de mídia (propostas pelos próprios convidados através da internet), transmissão ao vivo de palestras e oficinas pela internet, encontro nacional dos pontos de mídia (ligados ao Ministério da Cultura), encontro nacional de blogs políticos, colóquios. Teremos, assim, a missão de fortalecer as bandeiras comuns aos movimentos sociais que estarão presentes na Conferência Nacional, dez dias após o FML.

Assim, o II Fórum tem como finalidade constituir as bandeiras próprias midialivristas que serão levadas à Confecom, bem como reforçar o coro das nossas velhas bandeiras (como a democratização e controle social das concessões públicas de Rádio e TV) e construir outras novas (como a universalização da banda larga e a democratização das verbas públicas de publicidade). Sabemos que o debate sobre os rumos da Confecom e as teses que a orientarão dominarão nossas conversações durante o FML, o que faz deste um momento fraterno de encontro de ideias, propostas e posições políticas que façam avançar e renovar nossos compromissos com a produção de novos direitos sociais no terreno da comunicação, que tenha sempre como norte a radical defesa da liberdade da expressão das diferentes matizes sociais do Brasil.

viver dignamente de comunicação

Mas, em Vitória, temos ainda um desafio no campo econômico, que é antes, político. Nos últimos anos, aceleram-se experiências (individuais ou coletivas) de mídias autônomas. “Nunca na história desse país” surgiram tantos veículos de comunicação, criados e mantidos por profissionais de comunicação (com graduação ou não) que fazem ecoar pontos de vista alternativos sobre o dia a dia das cidades, geram inovações estéticas e nas diferentes linguagens midiáticas, constituem parcerias de crescimento mútuo com outras iniciativas (sejam para ampliar novos públicos, como para exigir novos direitos) e experimentam soluções de sustentabilidade econômica. Contudo, aqueles que estão mergulhados em boa parte dessas experiências ainda estão bem longe de terem seu labor tipificado, conforme apregoa a Organização Internacional de Trabalho, como “trabalho digno”. Muitas vezes obtêm infraestrutura de trabalho, através de editais públicos, mas não alçam a possibilidade de “viver de mídia”. Como qualquer trabalhador da cultura, o da comunicação ainda se vê na dependência das indústrias da intermediação (da publicidade às indústrias culturais) e/ou do fisiologismo típico brasileiro (aquela ajuda do “amigo do governo ou da empresa”). Os midialivristas acabam por ficar nesse vácuo de políticas, sobretudo, da econômica (isto é, no vazio daquelas medidas que façam distribuir renda, desconcentrando-a do poder das indústrias de intermediação). Esse é um grande desafio das políticas de comunicação do começo do século XXI, fazer com que os midialivristas – ou o precariado cognitivo, como salienta a professora Ivana Bentes – possam viver dignamente de seu trabalho, o que significa entrar num tema ainda desconhecido, entre nós, que é o de como construir um mercado solidário e dinâmico no campo da comunicação social.

O II Fórum traz essa questão para estimular nossos debates: como viver só de blogs, só de rádios comunitárias, de tv pública, tv comunitária, só de cinema, música e audiovisual independente ou só de revistas impressas para público de nicho, tendo como horizonte a criação de um mercado solidário?

Não é à toa que o II Fórum de Mídia Livre abrigará diferentes movimentos que carregam, já há algum tempo, mecanismos diferentes de produção, distribuição e consumo de comunicação. Em parte isso advém dos usos inovadores e críticos da internet e das tecnologias digitais, sobretudo, do uso colaborativo dessas ferramentas contemporâneas que, paulatinamente, trazem-nos desafios pela construção de um “novo pacto” no campo da comunicação. Não se trata somente de criar um novo marco legal (muito necessário, dado a caduquice dos processos e das tecnologias sobre a qual a lei atual versa), mas uma nova concepção de como viver de mídia, algo que atravessa nossa vitalidade, nossa potência de vida, afinal, bem no final, somos todos humanos, seres vitalistas.

O II Fórum de Mídia Livre ocorrerá na cidade de Vitória/ES, uma das primeiras a experimentar um governo com participação popular, já em 1989. São 20 anos de participação da sociedade civil nos rumos da cidade. Uma cidade cheia de contradições, como todas do país.

Fizemos por aqui, no Espírito Santo, um esforço para receber a todos. Mas o mais importante foi nossa Caravana Midialivristas, passando pelo Sul do Estado, pela Região Metropolitana e pela juventude, através de nossas conferências livres, recheadas com trocas de conhecimentos (com nossas oficinas midialivristas). Participamos ainda das articulações pró conferência estadual de comunicação. Estamos muito animados para receber a todos na Universidade Federal do Espírito Santo.

Um agradecimento bem especial aos companheiros do Grupo de Trabalho Executivo do Fórum de Mídia Livre, aos amigos queridos do Coletivo Multi (Vitória) e do Coletivo Rede Universidade Nômade, aos colegas do Centro de Artes da Ufes, por estar na luta pela construção desse II Fórum. Acredito que já podemos pensar no terceiro.

Agora é a hora!

Muito Obrigado,

Fábio Malini (UFES)

Coordenação do II Fórum de Mídia LIvre

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@choravilavelha: jornalismo p2p e o homem público das redes 2 novembro, 2009

Posted by Fabio Malini in Blogs, cibercultura, colaboração.
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Por que o @choravilavelha se transformou no evento fundador do jornalismo p2p no Espírito Santo?

Para aqueles que não sabem: @choravilavelha é um perfil no Twitter cujo principal objetivo é retuitar reclamações sobre a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo. Hoje, dia de finados, movidos pela indignação contra alagamentos e caos urbano provocados pela chuva constante que cai sobre a cidade, internautas de Vila Velha deixaram o habitual orkut-email-msn-google e partiram, no Twitter, para uma campanha contra o prefeito da cidade, que virou Judas, depois de publicar no microblog, que acompanhava, da China, notícias sobre o estado de emergência por qual a antiga capital do ES passa.

O meme #choravv se espalhou pela web 2.0. Até o final da tarde, já passavam de mais de 500 comentários nos microblogs. O ponto mais alto da conversação virtual foi quando o prefeito da cidade, @neucimarfraga, erra o código para enviar uma mensagem privada (direct message) a um jornalista-tuiteiro, tornando-a pública:

d-ximenes65- se insistir no tratamento pessoal, poderemos conversar no tribunal.

Depois da ameaça do prefeito, a reação foi ainda maior, entrando agora em cena os jornalistas da cidade, que numa ação corporativa (do sindicato ao chefe de redação de um dos jornais) condenam, via Twitter, o ato do prefeito. Já, neste momento, o @choravilavelha vira o principal veículo da cidade, gerando um “efeito jornal” nos internautas capixabas, ou seja, sendo o porta voz da indignação cidadã contra a política municipal que, para além da boa vontade do governo local, chegava a 10 meses de administração, com ruas em obras (de forma absolutamente desorganizada), alagamentos em inúmeros pontos da cidade, buracos infinitos…

a era do jornalismo p2p

O @choravilavelha abre a temporada do jornalismo p2p no Espírito Santo, à medida que sem edição, publica todo tipo de manifestação, mesmo aquela que vá contra o desejo e os interesses dos autores do chora. Como uma espécie de Napster do jornalismo, faz com que os internautas tenham acesso ao que toda rede escreve de crítica à cidade de Vila Velha, de forma direta, ponto a ponto, criando ao mesmo tempo um grande mural conversacional e instaurando uma comunidade virtual.

Mas o que o @choravilavelha reflete é um alteração densa nos processos de formação da opinião pública. A opinião sempre esteve atrelada àqueles que detinham a capacidade de irradiar informação. Hoje essa capacidade está em todos os lugares virtuais, fazendo com que o conceito de notícia se caduque com enorme facilidade. O caso de hoje é exemplar: foi possível ver fotos, relatos, depoimentos em texto, vídeos sobre o caos, publicados por cidadãos de diferentes partes da cidade de Vila Velha. Tudo de forma direta, usuário para usuário, ponto a ponto (p2p). Portanto, o “efeito-imprensa” atravessou toda a web canela-verde, de forma que todo cidadão passou a produzir sua própria notícia da desgraça que cai sobre o município.Com a popularização do computador e da internet, jornal, Tv e rádio – hoje afastados da dinâmica concreta da cidade (mergulhados num jogo de dependência político-financeira com setores conservadores) – veem seus públicos criarem seus próprios canais de comunicação, fazendo com que só reste para si um público facista, aquele que se diverte vendo “acidentes de trânsito e homícidios entre os pobres”.

Mas a novidade de hoje não somente essa possibilidade do usuário produzir notícias (aliás, isso já é sabido há pelo menos dez anos). O que é radical hoje é o fato do internauta poder cultivar o seu público. Um público poderoso porque, na verdade,na internet não existe públicos, mas parceiros. Internet – para o bem ou para o mal – só funciona a partir da lógica da parceira (veja a busca delirante dos jornais em colocar o usuário para dentro da produção da notícia). Então essa nova geração de publishers são potentes porque sabem cultivar menos públicos e mais parceiros. Essa é a grande diferença entre o jornalismo p2p e o u2m (um para muitos). O @choravilavelha é produto de um jogo de parcerias, por isso que fazem funcionar uma netwar, que desloca o conceito que temos de “homem público”, porque demanda deste uma relação direta, sem intermediários, sem maquiagens, com a população.

um dilema: a lógica pastoral dos profiles

Foi o Richard Sennet que afirmou que, nessa época de publicização da intimidade, reina a tirania, porque aqueles que são capazes de mobilizar mais fãs (ou amigos), a partir de valores pessoais e consumistas, conseguem destruir reputações públicas. É verdade: há nisso tudo um enorme campo de contradição, sobretudo, se pensarmos que parte da internet é feita de scripts, macros, spammers, obsessões exibicionistas, ególatras e outras coisas mais, que juntos são capazes de gerar uma massa de subjetividade que se edifica a partir da idéia de que, ao irradiar mensagens, repetindo-as, replicando-as, é possível ter mais força online. Trata-se do velho “efeito de massa”. Não é à toa que o pesquisador Henrique Antoun vai mostrar que o principal antagonismo hoje, na internet, deriva da tensão entre a comunicação distribuída dos grupos e a comunicação irradiada dos fãs.

A ameaça a qualquer ação p2p é exatamente a de transformá-la em uma orda de pequenos fanáticos (fãs). Em vários momentos, percebeu-se que muitos movimentos dos usuários do @choravilavelha reproduziam o ideário do fã: crença inesgotável no ídolo e, na mesma proporção, a descrença naqueles que dele discordam. Quando isso ocorre, o profile torna-se pastor e não um jornalista (usando o termo como metáfora, como aquele que quer aglutinar todas as expressões sobre um acontecimento). A ética pública precisa ser a ética do comum. E o comum é a aglutinação da diferença social. Contudo, o @choravilavelha é uma criação coletiva, mobilizado a partir das margens. Transformou-se num espaço de catarse. Dali não sairá um grande movimento social, mas criou um lugar, uma diferença, importante num momento em que vemos fãs para tudo que é lado.

Assumir o efeito-imprensa significará, cada vez mais, para os bons perfis das redes sociais,  fazer passar a sociedade, numa relação de diálogo, de conversação. Sem ameaças, sem fanatismos.

Sobre a política em tempo de web 2.0

Neucimar Fraga, nosso prefeito, já aprendeu a lição. Sua atitude autoritária, de usar a velha política da ameaça como forma de lidar com a crítica, foi absurdamente refutada online e offline. Na prática, sem saber, os políticos – sobretudo aqueles ligados à política local – vão ter de aprender a viver com a crítica direta advinda da internet. Na verdade, a internet pode ser um grande espaço de liberdade do político em relação àquele marqueteiro oportunista que vive de modular a imagem do político na mídia de massa. Pode ser uma forma de experiência direta, de conversa direta. São muitas as possibilidades de atuação pública do político nas redes.

Eu só queria pontuar uma coisa importante. A internet é uma mídia viva. Nada se perde nela. É interessante notar que uma das formas de ativismos contra Neucimar tem sido a recuperação de suas mancadas históricas, como aquela lei contra o homossexualismo que defendia de forma preconceituosa. A rede levanta essas mancadas (traz entrevistas, artigos etc do prefeito) e bota pra circular de novo. A rede é memória. E a memória é o que constitui o vivo.

Se blogs, microblogs etc são ou não imprensa, isso é questão para aqueles que ainda estão na era analógica, que creem que só eles são capazes de “atualizar” a população.

Novos ventos no Espírito Santo, apesar da chuva.

Políticos e as mídias sociais 2 novembro, 2009

Posted by Fabio Malini in Sobre o virtual.
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Dia 04 e 05 tem Confecom Jovem em Vitória/ES 2 novembro, 2009

Posted by Fabio Malini in Sobre o virtual.
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cabeca_blog1A Conferência Livre de Comunicação da Juventudedo ES  vai rolar na quarta e quinta (04 e 05/11). O evento pretende gerar a pauta da juventude para as políticas de comunicação, que serão muito debatidas durante a confecom estadual (que ocorre de 20 a 22/11). A Confecom Jovem será transmitida ao vivo. Além de conferências livres, haverá ainda oficinas, atividades culturais e palestras. Confira toda programação no site da Confecom Jovem.

A realização da Confecom Jovem é do Fórum de Mídia Livre, Centro de Referência da Juventude/PMV e Coletivo Proconfecom ES.