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Citizenside, portal de jornalismo cidadão 26 fevereiro, 2010

Posted by Fabio Malini in jornalismo, jornalismo cidadão, Sobre o virtual.
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Citizenside, portal de jornalismo cidadão na França. Bem legal. A França tem inúmeros portais desse tipo, como o MetroReporter e o You.

Veja: http://ow.ly/1bsyI

De Volta para o futuro 20 setembro, 2009

Posted by Fabio Malini in jornalismo.
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Proposta de Novas diretrizes curriculares de jornalismo empurra curso para uma concepção reacionária na formação, não percebendo que as novas práticas do fazer jornalístico não passam pelo estágio, mas pela produção autônoma de veículos, que são a cada dia criados e mantidos pela sociedade em rede.

Escrevo esse artigo, que trataria da relação das chamadas mídias livres no campo da comunicação social, no momento que sai a proposta das novas diretrizes para o curso de jornalismo. Inevitável mostrar como o cenário do midialivrismo gera reação até onde seria o campo da recepção das novas demandas sociais: a formação acadêmica. De antemão, não há muitas novidades nas diretrizes para o ensino de jornalismo, senão uma tentativa de posicionarem-se diante ao fato cabal de que o campo da comunicação social se tornou mais elástico e rico, e o campo do jornalismo, mais restrito e corporativo. É nessa tensa relação que as diretrizes foram geradas. Novidades radicais: estágio supervisionado obrigatório e separação do curso de jornalismo do campo da comunicação social. O restante é chover no molhado, só atualização às novas necessidades.

No entanto, muitos do problemas dessas diretrizes estão associados ao fato de nascerem fora de lugar, dissociadas das decisões do Supremo Tribunal Federal, que gerou o fim da exigibilidade do diploma de jornalismo,  a queda da lei de imprensa e do acórdão que entende a internet como espaço da liberdade absoluta.

As novidades das “novas diretrizes” são um trágico “de volta para o futuro”. Elas apontam muito mais para trás, mesmo que exista uma boa fé daqueles que pensam em estar olhando para frente.

Quem institucionaliza a formação em jornalismo?

Uma questão concreta, um interesse concreto. Aqui na Universidade Federal do Espírito Santo, propomos um novo curso de especialização lato sensu, em jornalismo. O foco é ser uma especialização teórico-técnica aberta a todos os profissionais graduados, como queremos e a justiça também. Ordem do Supremo. Não podemos, por lei, dizer que somente graduados em jornalismo podem fazer o curso de aperfeiçoamento, nível pós-graduação lato sensu, em jornalismo. Claro que também é uma atitude política. Queremos qualificar a formação do campo dos não-jornalistas, graduados em habilitações da comunicação social e outras áreas, que agora são jornalistas, de direito.

Ao mesmo tempo as novas diretrizes permitirão que a graduação em jornalismo não será mais uma habilitação da comunicação social. Nada de delírio sulamericano, pensam alguns, que acreditam que essa coisa de comunicação social é abstrata demais e impede o ensino de jornalismo de focar mais no fazer jornalístico.

Mas veja o nosso caso aqui de Vitória como vai no núcleo da “questão da formação”.

Se um dia, um departamento, como o nosso, propor fazer uma pós-graduação lato sensu de jornalismo, com foco no “campo profissional”, será que o curso/departamento de jornalismo iria dizer o quê? Não, pelo amor de Deus, é só na graduação de jornalismo que aprendemos a fazer fotojornalismo, pelo amor de deus é só na graduação de jornalismo que aprendemos a fazer telejornalismo? As diretrizes curriculares do campo profissional vão impedir cursos de jornalismo lato sensu nas universidades públicas e faculdades privadas desenvolvidos por professores, que são jornalistas, mas que atuam em outros cursos de habilitação da Comunicação Social ou em outras áreas da Humanidades?

Veja que essa idéia de criar um “campo profissional” dissociado de um “campo de conhecimento” pode gerar uma dinâmica de guerra na área. Eu, se estiver num curso de audiovisual ou de economia, para usar exemplos concretos, posso propor um curso de jornalismo em nível de pós-graduação lato sensu, quer o departamentto de jornalismo da minha instituição queira ou não. Eu posso propor, e a instituição superior de ensino aceitar criar um curso de especialização com todas as disciplinas técnicas do jornalismo. E aí, de novo, quem vai me proibir? Ninguém, porque as diretrizes querem separar a formação  de jornalismo da área de comunicação no nível de graduação, mas não no de pós-graduação, porque neste o que vale é o fato de jornalismo ser parte do grande campo de conhecimento chamado Comunicação Social. E daí o discurso do jornalismo como apenas campo profissional não cola. Dessa forma, o nosso curso de lato sensu para profissionais “do” jornalismo é absolutamente algo legitimado institucionalmente e traz, de volta, a junção daquilo que a comissão sugere separar: o jornalismo como uma faceta do campo da comunicação social. Eu posso formar jornalistas, graduados em qualquer área, no nível de pós-graduação, independente da formação que o estudante possa vir a ter.

Então, no lugar de fortalecer os cursos de jornalismo, a proposta acaba por criar um conflito entre áreas da comunicação social que pode, em última instância, fragilizar as graduações, senão até acabar com muitas delas, porque, pela lógica, só poderão estar dentro dos cursos de jornalismo graduados em jornalismo. Lembre-se, para comissão, o jornalismo é campo profissional e não campo de conhecimento. Eis aí a primeira volta para o futuro. Enquanto a sociedade radicaliza a comunicação social (pressionando pela ampliação de direitos no campo da comunicação), aqueles que formam jornalistas querem dissociá-los das dinâmicas concretas da sociedade.

Pela lógica, o estágio supervisionado é ilegal

Não podemos esquecer que temos uma dimensão constitucional nova sobre o que é jornalismo. O fim da exigibilidade gerou viúvas, sabemos. E aí, essas diretrizes podem estar é acabando com os cursos de jornalismo, na maior boa fé.

Essa coisa do estágio supervisionado é uma atidude pedagógica reacionária, repressiva, mesmo que, repetindo, exista uma boa fé nisso. Num contexto em que a sociedade produz comunicação (e jornalismo como uma das suas linguagens), como eu vou pedir pro cara que cursa jornalismo e tem um blog indepedente de jornalismo político fazer estágio na editoria de política do jornal local? Como eu vou pedir pro cara que atua num coletivo de jornalismo independente, que mistura, cinema, audiovisual, produção gráfica, computação, sociologia, teoria da comunicação, etc, e ganha uma grana com novas formas de sustentabilidade profissional, a passar pelos “postos de trabalho” da fábrica fordista? Eu, que tenho minha revista online, com 10 mil acessos dia, focada em jornalismo cultural, vou ter de fazer estágio onde? Esses são exemplos reais, pois estamos num cenário de radicalização da comunicação social e de esplendor para o jornalismo. E o pior que nem sou somente eu quem diz isso, é só fazer uma pesquisa básica no Google e encontrar entrevista do editor do Washington Post Philip Bennet,  publicada no jornal El Pais, comentando o fato de ter demitido 250 jornalistas nos últimos três anos: “tive que fazer isso com um paradoxo sempre na mente que estamos a viver uma época terrível para empresas de notícias e uma era de ouro para o jornalismo”.

A proposta dessas diretrizes quer – de novo, com a maior boa fé – é retomar a proposta de exigibilidade do diploma, mas só para uma classe de trabalhadores, e pasmem, para os jornalistas. Reparem a lógica. O cara que faz jornalismo terá que fazer estágio. Onde? Nas redações e ambientes institucionais. O estágio poderá ser feito apenas em “instituições” (com curioso detalhe que poderá ser em assessoria de imprensa). De qualquer forma, o estágio recupera a velha  concepção da fábrica fordista (estudante primeiro, produtor depois). Assim, o fazer jornalismo fica condicionado, nas faculdades, a um estágio, portanto, dentro das redações (no sentido mais amplo possível do termo, por mais irônico que isso seja, para aqueles que pensam em jornalismo, legitimando o jornalismo de uma fonte só). O cara fica quatro meses, no mínimo lá no local, depois, pé na buzanfa.

Nessa lógica, não pode existir jornalista formado sem residência. Contudo, o que vai acontecer? Só é jornalista graduado aquele que passar pela dimensão corporativo-sindical. Com um avanço (rs), o cara que for fazer estágio não entrará como estudante, mas como JORNALISTA, porque legalmente o ESTÁGIO EM JORNALISMO É UMA FICÇÃO. Com o fim da exigibilidade do diploma, não se pode criar, nas redações, a figura do estagiário. Ninguém sacou que o fim da exigibilidade deixará o sindicato dos jornalistas rico? Então essa de estágio é ilegal nas redações, porque a atuação jornalística não requer diploma e o estudante terá que ser contratado como profissional ou, o pior, ser contratado lá pela organização como um estagiário de serviços gerais, para fugir das normas que regem a legalidade em questão. Com a decisão do Supremo, esqueçam, não pode haver “estagiário em jornalismo”, só jornalistas.

Mas o pior, cômico e trágico ao mesmo tempo: o cara que cursa História poderá fazer jornalismo sem passar pelo estágio. É verdade, poderá. Mas o cara que já é jornalista, e cursa jornalismo, não pode ser jornalista se não fizer estágio. Então, as diretrizes, com todo respeito, pioraram a situação para quem quer fazer jornalismo, porque só é “jornalista quem for fichado”. E o pior: nenhuma redação vai querer contratar o cara, num regime de trabalho CLT, para ficar trabalhando apenas um ano, porque depois vai ter de demitir e pagar todos aqueles encargos que empresário  não gosta de  pagar (40% de demissão etecetera). O estágio inviabiliza os cursos de jornalismo no país porque, na verdade, não existe mais conceito de estágio em jornalismo. Quem for atuar no jornalismo, por não exigir diploma, precisa ser sindicalizado como tal. Se existe residência em medicina, não haverá no jornalismo. É por isso que os cursos de residência em jornalismo no país não pagavam, e vão continuar a não pagar, um centavo para os nossos estudantes, porque se trata de uma benevolência do grupo de comunicação em ensinar o jornalismo a partir das suas regras editoriais. Agora com a obrigatoriedade do estágio as coisas melhoram para o empresariado (apesar do contrato de estágio fake que terão que criar, como já criam, diga-se de passagem). E agora, de volta para o futuro, a comissão recorre no esquecimento da decisão do Supremo. Nada de estágio, vamos assumir, dentro da CLT, o trabalho jornalístico profissional, seja ele de um garoto de 18 anos ou de um senhor de 60.

Mas o pior não é a interpretação caduca da comissão. Mas é a visão mesmo de que só há jornalista se houver o estágio institucional. O estágio supervisionado obrigatório é rescaldo da cultura do aprisionamento do fazer jornalismo como uma atividade corporativo. E “tá na cara” que inseri-lo no currículo pode criar uma situação de inconstitucionalidade. Afinal, impor-se-á uma obrigação na formação que não tem amparo legal, à medida que o estudante pode atuar na produção de jornalismo antes ou depois de formado, tal como o estudante de audiovisual ou de história que podem, agora ou amanhã, atuar no jornalismo. Valerá à pena fazer o curso de jornalismo à medida que este coloca a barreira do estágio como condição para ser jornalista?

Para mim, a questão passa é por romper essa dimensão disciplinar do estágio. O que significa afirmar que a gurizada precisa fazer o que curte hoje: criar suas próprias mídias, de forma autônoma, inclusive, em relação ao próprio professor. Para que somente ter a moral do escravo entre nós? Não, não, não. Hoje podemos construir nossas próprias mídias e viver delas. Há tantos exemplos, tantos, de inovações jornalísticas, na rede sobretudo, que não passam por ter um chefe, que fica difícil apoiar essa história de “obrigação do estágio”, porque este exclui as novas práticas sociais de mídia livre, em que ter seu próprio veículo é condição de estar no mercado de trabalho. Então no lugar da moral do escravo, temos é que criar a moral do empreendedor coletivo que articula diversos saberes na produção de veículos jornalísticos para além de ter um patrão. Mídia Livre nos currículos de jornalismo para conseguirmos ter a oportunidade de produzir novas linguagens, novas oportunidades de trabalho.

Os empregos continuarão a existir.

Os espaços institucionais não cessarão. Estarão sempre à disposição de talentosos jornalistas (formados ou não em jornalismo/comunicação social). Mas, veja bem, eu não sei se uma entidade poderá criar estágios em jornalismo, repito. Já estamos a ver concursos públicos que abrem vagas de jornalismo, mas que não pode priorizar aqueles formados em jornalismo. Os gestores que fizerem essa priorização pode ver o concurso público sendo questionado na justiça. E no campo da redações profissionais é o talento e a obediência (não é vero?) à cultura organizacional que vai decidir a parada. Enquanto isso centenas de jovens talentos já estarão produzindo os seus próprios veículos, quase sempre de forma coletiva, junto com carinhas que são cineastas, publicitários, designers, programadores, matemáticos, cientistas sociais etc, num processo incrível de mistura de conhecimentos para criar histórias contemporâneas. E não há dúvidas que é nessa maioria que a inovação deve passar, o que não inviabiliza que a “grande mídia” pesque alguns desses talentos, remunerando-os de maneira digna (oremos!).

Então, vejo, como dentro da normalidade que alguns professores de jornalismo tenham receio da cultura da comunicação social (que vemos hoje na própria internet). Mas é dela que precisamos. Sei que o termo “comunicação social” pode soar muito abstrato para esses professores, de fato, é. Mas, para mim, se trata apenas de um termo para mostrar o óbvio. O processo sempre aberto do campo da liberdade de expressão. Nossa constituição tem lá, o capítulo Da Comunicação Social. O termo não é só acadêmico, mas constitucional. Não se trata de ter uma perspectiva estruturalista no campo. Ao contrário, é entender que a dimensão da comunicação social é exatamente o que o “novo jornalismo” deve ter como horizonte profissional. Perder a dimensão comunicacional é perder parte da ética jornalística e das dinâmicas concretas de exigência de democratização da comunicação, porque o jornalismo é feito das diferentes linguagens, práticas e éticas que estão circunscritas ao domínio da comunicação. O que eu posso fazer se os americanos pensam a formação de “jornalismo como curso de jornalismo”? Veja lá a situação dos caras. O processo intenso de disputa com o campo da comunicação social, que se insurge contra ou chacoalha o “campo profissional de jornalismo”. A situação americana é esta. E a gente aqui dizendo que o campo da comunicação social é coisa menor para o jornalista, enquanto aprovamos uma legislação eleitoral que afirma que todo cidadão deve ter direito à produção da informação, quer os políticos queiram ou não.

O que é isso, companheiro? A luta, de hoje, significa trazer a cultura do remix para dentro do jornalismo. E não excluir dele as novas linguagens originadas dentro da comunicação social, que tem hoje a rede como seu principal paradigma.

Este semestre dou aula para o jornalismo e o desenho industrial, no mesmo espaço, no mesmo dia. Descobri que não tem como pensar narrativas multimídia dissociadas do campo do design e da programação. Antes, os meninos e meninas de jornalismo faziam conteúdos bem legais, mas, o que adiantava, se não sabíamos programar e potencializar ainda mais o grau de conhecimento aplicado na produção de reportagem. Então resolvi radicalizar. Botei todo mundo na mesma sala. A galera do design discute personagens, narrativas, iconicidade dos personagens etc. A galera do jornalismo design, formas de organização da notícia dentro das narrativas do multimídia, programação php e desenho a partir da lógica CSS. Isso para mim é comunicação social. É radicalizar o princípio da comunicação social. A galera vai produzir seis especiais jornalísticos multimídia. Reportagem com profundidade a partir da hibridização jornalismo + design + informática.

Só penso nisso porque fui formado em comunicação social, habilitado em jornalismo. E não quero fazer a viagem “de volta para o futuro”. Não me façam tirar os alunos do design e sistema de informação da minha turma de laboratório de jornalismo online.

Meus antigos professores, vocês estavam certos. É a comunicação social que está sendo radicalizada hoje. Deixem os americanos e os europeus na crise. E assumam o devir latino-americano do jornalismo como “comunicação social”. É como diz o Roberto e o Erasmo, “Não dê ouvidos a maldade alheia / E creia / Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo / Meu bem / meu bem / Use a inteligência uma vez só / Quantos idiotas vivem só / Sem ter amor / E você vai ficar também sozinha / Eu sei porque …”.

Especial multimídia francês aborda sistema carcerário 12 julho, 2009

Posted by Fabio Malini in especiais, jornalismo.
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O jornal Le Monde lança webdocumentário multimídia sobre sistema carcerário na França. Muito bom, muito bom.

Midialivrismo e Coletivos de jornalismo independente no ES 10 julho, 2009

Posted by Fabio Malini in Blogs, colaboração, coletivos, internet, jornalismo.
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Num trabalho de ótima qualidade, os alunos da minha disciplina de jornalismo online conseguiram produzir coletivos de jornalismo independente multimídia. São 10 coletivos. 10 reportagens multimídia.Todas produzidas a partir do software de publicação automática wordpress. Acabaram por criar seus próprios veículos (que são jornal, tv, rádio e fotografia, ao mesmo tempo),ao invés de produzir um “jornal laboratório” no velho modelo um patrão-operário. Os alunos customizaram seus veículos, com apoio fundamental do Eduardo Lucas, Marcelo Daigo e Yuri Santos. E o resultado ficou muito bom: Coletivo Nômade, Coletivo Ao Vivo, Coletivo Bolha, Coletivo DeRaízes, Coletivo Baú de Vento, Coletivo Distúrbios, Coletivo Pauta Capixaba, Coletivo Pensamento Sustentável, Coletivo Mulher Mulher e Coletivo Vc Saudável.

Agora é dar continuidade e radicalizar o midialivrismo, afinal, “nós somos a mídia”.

a regra dos 30% e a crise do jornalismo 20 maio, 2009

Posted by Fabio Malini in imprensa, jornalismo, narrativa multimídia.
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Vale à pena escutar o micropost, em vídeo, do Pedro Dória sobre a regra dos 30% e o impacto no jornalismo impresso. O tema é ardiloso: alcançado 30% de usuários domiciliares com banda larga no Brasil, os jornais enfrentarão a sua mais grave crise?

Garapa em Cuba 19 maio, 2009

Posted by Fabio Malini in américa latina, especiais, jornalismo.
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Mais um dos ótimos especiais feito pelo Garapa: Desde Cuba. Como é lindo e horrível viver neste lugar.

Concurso Universitário CNN 7 maio, 2009

Posted by Fabio Malini in jornalismo.
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Pode interessar a muitos, é o concurso universitário da CNN.

Inscrições:  dia 24 de março a dia 29 de junho de 2009.

Tema:  “O uso da tecnologia no desenvolvimento social’.

A novidade de 2009 é que o estudante poderá enviar o vídeo de até 2 minutos pelo YouTube, sendo que ele poderá produzir quantas matérias quiser. O concurso é válido somente para estudantes de jornalismo.O ganhador conhecerá os estúdios da CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal.

Mais informações, acesso o blog do concurso.

Palestra J.Orihuella: jornais estão sempre em crise 22 abril, 2009

Posted by Fabio Malini in catarse, cidade, jornalismo, jornalismo cidadão, napster.
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Palestra de Jose L. Orihuella ministrada no último dia 16 de abril, em Quito. Tema: como as pessoas estão se tornando narradores dos próprios fatos que presenciam mais do que testemunhas oculares da história.

Nessa crise do jornal, ouvimos explicações absurdas, como aquela que afirma que os jovens não lêem jornais porque, em geral, não lêem mais. Ora hoje os jovens lêem e escrevem mais do que nunca. O problema é que escrevem e lêem em outros lugares.

Cabe ao jornalismo escrever numa linguagem mais próxima às pessoas, mais ligado ao cotidiano das pessoas.

Acho importante essa análise do Orihuella, seu esforço de demonstrar essa transição de testemunha à narradores. Ele começa sua análise ao mostrar centenas de pessoas capturando imagens, através de aparelhos celulares, da festa de posse do Obama.

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Sobre massa, disciplina e mídia 13 abril, 2009

Posted by Fabio Malini in aula, cultura, internet, jornalismo, massa, política, Ufes.
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Na última aula eu explorei muito o debate em torno de dois campos teóricos da comunicação, a saber:

1. a emergência e o desenvolvimento da subjetivação-massa, entre o final do século XIX e seus desdobramentos até a década de 60 do século XX.

2. os processos de pós-modernização ou informatização da produção, que se instaura a partir da década de 60.

I. Resenha da aula

O objetivo da aula foi demonstrar os conflitos, que vão lentamente se instalando na sociedade ocidental, derivados de mutações que tem haver com a crítica das vanguardas à sociedade de massa e, ao mesmo tempo, com a invenção de novas formas de vida abertas pelos movimentos sociais pós-68, que abrem uma nova mentalidade, agora calcada na rede como nova forma de organização social, para além da lógica da representação inscrita em toda mentalidade de massa. Portanto, conflitos tendem, a partir desse momento, a se localizar nas inúmeras formas de demonstração das resistências culturais das audiências de massa e nas diferentes criações de dispositivos comunicacionais desprovidos de centros de controle.

A aula foi animada pelo texto informatização ou pós-modernização da produção, publicado em Império, de Antonio Negri e Michael Hardt.

II. Sobre a subjetividade-massa

O tema é bem amplo, visto repetidamente na disciplina de teoria da comunicação. Fiz questão de retomá-lo, mas a partir da acepção de Walter Benjamin. Ao analisar o fenômeno das massas, lia-o como uma evidência de “perda da experiência”. Em sua elaboração, a subjetividade massiva significa uma perda de viver diretamente uma dada experiência, transferindo-a para dispositivos de reprodução técnica (nesse sentido, Benjamin adianta-se em relação ao conceito de indústria cultural). Para ele, a massa é um estado em que as coisas que são dadas distantes, são vivenciado proximamente, portanto, o testemunho histórico e a autenticidade são ocultados em qualquer bem reproduzidos pelos dispositivos de massa. Os meios de comunicação de massa são, assim, esses dispositivos que fazem esse elã entre o longínquo e o distante, tornam presente, no aqui e agora, aquilo que só poderia ser alcançado mediante ao testemunho ou  a tradição.

Eu gosto muito de uma passagem do A obra de arte na era..., em que Benjamin afirma: “a reprodução em massa corresponde de perto à reprodução das massas”. Os meios de comunicação de massa, bem como os grandes eventos de massa, seriam a projeção, o espelho das massas. As massas se vêem e se afirmam nesses dispositivos. É na busca incessantemente de mínimos comuns que as massas se constituem como um agrupamento. Nesse sentido, as massas precisam dos clássicos (não como cânones, mas como referência básica). As massas negam qualquer valorização ao culto, à contemplação, algo típico de sociedades em castas. Exige que tudo se torne próximo a ela. Eis a sua potência.

Contudo, torna também o mundo e as coisas  “transitórias e repetitivas”, como forma de romper com a unidade e a duração dessas mesmas coisas.

Ser massa significa a prática de uma subjetivação que valoriza a repetição e a transitoriedade como maneira de ruptura com a unidade (as coisas devem ser experimentadas uma só vez) e com a duração (as coisas devem durar para sempre).

Nesse mundo novo, a lógica de massa passa, de forma inevitável, pelo esquema emissor-receptor. O emissor é o pólo da representação, que é uma função imutável nessa sociedade.

Do ponto de vista político, as primeiras seis décadas do século XX vêem a concretização dessa figura das massas encarnadas em determinados tipos sociais, sendo o mais dramático o operário fordista, que Chaplin imortalizou em seus tempo modernos. A era da “execução perfeita dos movimentos”, o legado da técnica, marcou a dramática história social contemporânea: repetição, trabalho autômato, burro, cuja principal produtividade residia na capacidade de adestramento do corpo, agora extensão corpórea do maquinário mecânico. Foi Michel Foucault que melhor desvendou as relações de poder entranhado na sociedade das massas industrial. Para ele, somente técnicas disciplinares conseguiam gerir as massas: controle da população, medicina social, higienização urbana, hierarquização dos corpos na cidade (o lugar da produção, o lugar da reprodução), enfim, toda uma gama de dispositivos que funcionavam para docilizar os corpos, agora tornados produtivos. Mas um certo tipo de corpo produtivo. Um corpo que tinha a consciência de sua força de trabalho, que tinha “consciência de seus objetivos”, a vida regrada por aquilo que está fora de si. A vida só existe se o objetivo for alcançado.

Esse homem-massa possui a qualidade de poder deslizar sobre diferentes trabalhos, pois depende apenas da energia e do corpo adestrado para ser produtivo.  É o que alimenta a produção, mas, sobretudo, o consumo de massa. O acesso aos bens de massa – duráveis ou não -, mediante ao salário valorizado, gera um ciclo virtuoso de conquista do mercado consumidor. Não é só consumo e produção que são massificados. As próprias lutas sociais são de massa, embora restritas e quase sinônimas de lutas operárias.

A vida é então profundamente atravessada pelo tempo da produção fordista. Casa, fábrica, casa. Os tempos bem determinados. Tempo do trabalho (que se realiza na fábrica) e o Tempo da reprodução (o espaço do lazer, da educação, saúde, cultura etc).  Essa homogeneização da vida marca bem esse momento histórico, sendo a televisão o seu meio mais representativo.

Como afirma Lazzarato (1998, p.67):

Na fábrica, o taylorismo radicaliza cientificamente a redução do corpo a organismo. O Welfare articula e dispersa a população em processos de reprodução, multiplicando as figuras de sujeição (controle e instituição da família, das mulheres e das crianças, da saúde, da informação, da velhice etc). O espetáculo articula e multiplica o público em uma relação cada vez mais estreita entre comunicação e consumo, requalificando também o político.

Nesse sentido, massa se constitui como um elemento de cálculo. Como gostava de afirmar Adorno, o indivíduo se torna objeto da indústria, e não o seu sujeito. A televisão, veículo eletrônico que faz fundar o “acontecimento” (a forte aderência do espectador ao presente), carrega a compreensão de que o mundo está em ordem. Ocupa, nessa época,  a centralidade entre os aparelhos de percepção. Isso acontece em sentido geral, independente da ideologia que se carregava na época, pois que o socialismo real usava a mesma estratégia de produção taylorista, a mesma dinâmica disciplina do trabalho. O fascismo também já utiliza o taylorismo como dinâmica dos próprios campos de concentração. É curioso saber que o taylorismo é uma tecnologia de campo de concentração, de altíssima disciplina, de degradação do corpo.

Esses dois filmes demarcam muito bem o nível de histeria que constitui essa fase, considerada “a era de ouro” do capitalismo, inscrita por um pacto entre capitalista industrial fordista, welfare e espetáculo de massa. Há várias razões que explicam a fratura desse sistema, sendo a crise salarial a mais forte delas, provocado pelos movimentos de recusa fabril que se espalha pelo mundo inteiro (no Brasil, sobretudo, a partir do final da década de 70). Mas a negação da disciplina não se limitou à fábrica. Ao contrário, surgiu de um forte movimento no campo da cultura. Um curto-circuito que explode em 1968. Uma reação em cadeia contra o autoritarismo disciplinar em suas diferentes instituições (escola, família, hospital, arte, fábrica, etc). Os movimentos culturais e sociais abrem a possibilidade de construção de novas mentalidades sobre o mundo, a partir da construção de novos (ou a renovação dos) valores sociais, em que no centro está a defesa de novos agenciamentos baseados na expressão e na invenção como condições de produtividade social, em contraponto à disciplina burra e autômata. Trata-se de ações confusas, fragmentadas em diferentes sujeitos sociais, descentradas em distintas causas, em que a emancipação não significa revolução comunista, mas a revolução na mentalidade. Não é à toa que um dos lemas da época era: “Quando penso em revolução, penso em fazer amor”. E não é à toa que, mesmo podendo tomar o poder, os manifestantes de 68 hesitam, porque não havia ali um princípio de ordem. Interessante lembrar que o método da assembléia, dos porta-vozes e dos delegados brotaram como formas de organização daquele movimento de 68. A ação direta – sem Estado, sem Partido – é experimentada dentro desses movimentos (e vai se tornar, depois, a própria filosofia da internet). Reunião de grupos, sob decisão assembleística, constituem a liberação dos movimentos também dos processos disciplinares dos movimentos sociais. A ação direta nasce como um ato desses coletivos e faz incentivar o surgimento de outros pequenos grupos com suas causas a defender, também sem intermediação de qualquer instituição. O que para alguns é a gênese da revolução molecular, para outros, a crise do comando disciplinar como capaz de mobilizar e convencer toda a sociedade a produzir de forma hierarquizada e autômata. É paradoxal que tudo issoo ocorra num período de ouro, de forte crescimento econômico mundial, sem contar os avanços associados a isso, como alto consumo de bens duráveis, ampliação do acesso aos serviços coletivos, novos métodos contraceptivos (sobretudo, a pílula anticoncepcional), enfim, toda uma gama de conquistas que acabaram servindo como fermento para uma turbulência cultural.

III. a subjetividade-rede [próxima aula]

Le desordre c’est moi.
(um dos muitos lemas de maio de 68)

Maio de 68 inaugura a fase da afirmação dos direitos. “Ter direito aos direitos”, como se diz na época e é repetido até hoje. Esse estopim de movimentos identitários (negro, gay, feminista etc) e dos ligados a determinadas causas (ambiental, contra a fome, saúde, transporte público, comunicação, movimentos comunitários etc) fazem modificar o estatuto teórico da resistência, alargando a definição para além dos muros fabris. E, sem sombra de dúvida, essa mentalidade molecular se torna o plano subjetivo para a origem, por exemplo, das organizações não-governamentais.

A lógica da classe é metamorfoseada em novas concepções (a que eu gosto mais é a de multidão). POis bem, é essa atmosfera de pensar o impossível que se tornou o terreno para a constituição de um outro movimento também : a contracultura. Esse movimento é uma das chaves de compreensão da gênese da internet, junto com esse caldeirão de mutação no conceito de classe, movimento e poder, que é inaugurado no 68 francês.

De qualquer forma, é esse contexto de diluição da classe em uma multidão de singularidades que faz emergir o que chamo de subjetividade-rede. Tema da próxima aula junto com o debate sobre a contracultura.

enfim, o primeiro especial no jornalismo online capixaba 13 abril, 2009

Posted by Fabio Malini in especiais, jornalismo.
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Saiu, enfim, o primeiro especial de jornalismo online capixaba. Especial sobre a Festa da Penha, do gazetaOnline. O hotsite tem um link tosco, o design é mega conservador, mas o esforço de colocar algo multimídia é superlegal. Tomara Deus que tenha conteúdo exclusivo online, para que se supere rapidinho aquela velha prática chupa-cabra dos conteúdos do papel.

É isso.