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Ciclo de debates sobre política 2.0 na Ufes 8 fevereiro, 2010

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Laboratório de Estudos em Internet e Cultura / UFES +  @ColetivoMulti

Ciclo de Debates
{ Poder e Internet: política e cultura nas mídias sociais }
Quinta, 04 de março, 19h30, Auditório do Centro de Artes

com @fabiomalini, @muriloejunior e @gabrielherkenhoff

Tema do dia:
“Sobre a inteligência de enxame”.
Debate a partir do trecho “Inteligência de Enxame”, do livro Multidão, de Toni Negri e Michael Hardt  e de “La aparición de la guerra en red”, do livro, Redes e Guerra em Rede, e John Arquilla e David Ronfeldt {inédito no Brasil}

Próximo Tema [ 04 de março de 2010 ] [18 de março]
Yes, We Can – a campanha de Obama nas presidenciais de 2008
a partir do livro “Communication Power “, de Manuel Castells {ainda inédito no Brasil}

Sobre
O Seminário aberto Poder e Internet: política e cultura nas mídias sociais busca socializar e compartilhar os debates teóricos contemporâneos sobre os usos da internet no campo da cultura e da política, sobretudo, aqueles que refletem sobre o campo das chamadas mídias sociais na web. O seminário ocorre durante as quintas feiras, no Centro de Arte, quinzenalmente. A entrada é gratuita.É uma organização do @coletivomulti e do @labic .

Onde conseguir os textos
Os textos, de caráter curto, estão disponibilizados no Centro de Cópias do Centro de Vivência, na UFES, na pasta Política 2.0.

Coordenação Geral: Fábio Malini (UFES)

Transmissão ao vivo pela Internet!

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Partido inglês ensina usar redes sociais 21 janeiro, 2010

Posted by Fabio Malini in Blogs, política.
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Lendo o e-Xaps, tive acesso ao guia de uso das redes sociais para políticos do Partido LIbera inglês. É ótimo, sobretudo, se você é ou quer ser um político (em sentido amplíssimo…)

NO Chile, campanha de Frei recusou novas mídias 20 janeiro, 2010

Posted by Fabio Malini in Blogs, política.
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No Chile, o candidato da Corcetación não usou as novas mídias em sua campanha. Parte da sua derrota se explica por isso. Ao contrário, Piñera ganhou e mobilizou 41 mil seguidores no seu Twitter.

Via Politica2.com

Sobre massa, disciplina e mídia 13 abril, 2009

Posted by Fabio Malini in aula, cultura, internet, jornalismo, massa, política, Ufes.
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Na última aula eu explorei muito o debate em torno de dois campos teóricos da comunicação, a saber:

1. a emergência e o desenvolvimento da subjetivação-massa, entre o final do século XIX e seus desdobramentos até a década de 60 do século XX.

2. os processos de pós-modernização ou informatização da produção, que se instaura a partir da década de 60.

I. Resenha da aula

O objetivo da aula foi demonstrar os conflitos, que vão lentamente se instalando na sociedade ocidental, derivados de mutações que tem haver com a crítica das vanguardas à sociedade de massa e, ao mesmo tempo, com a invenção de novas formas de vida abertas pelos movimentos sociais pós-68, que abrem uma nova mentalidade, agora calcada na rede como nova forma de organização social, para além da lógica da representação inscrita em toda mentalidade de massa. Portanto, conflitos tendem, a partir desse momento, a se localizar nas inúmeras formas de demonstração das resistências culturais das audiências de massa e nas diferentes criações de dispositivos comunicacionais desprovidos de centros de controle.

A aula foi animada pelo texto informatização ou pós-modernização da produção, publicado em Império, de Antonio Negri e Michael Hardt.

II. Sobre a subjetividade-massa

O tema é bem amplo, visto repetidamente na disciplina de teoria da comunicação. Fiz questão de retomá-lo, mas a partir da acepção de Walter Benjamin. Ao analisar o fenômeno das massas, lia-o como uma evidência de “perda da experiência”. Em sua elaboração, a subjetividade massiva significa uma perda de viver diretamente uma dada experiência, transferindo-a para dispositivos de reprodução técnica (nesse sentido, Benjamin adianta-se em relação ao conceito de indústria cultural). Para ele, a massa é um estado em que as coisas que são dadas distantes, são vivenciado proximamente, portanto, o testemunho histórico e a autenticidade são ocultados em qualquer bem reproduzidos pelos dispositivos de massa. Os meios de comunicação de massa são, assim, esses dispositivos que fazem esse elã entre o longínquo e o distante, tornam presente, no aqui e agora, aquilo que só poderia ser alcançado mediante ao testemunho ou  a tradição.

Eu gosto muito de uma passagem do A obra de arte na era..., em que Benjamin afirma: “a reprodução em massa corresponde de perto à reprodução das massas”. Os meios de comunicação de massa, bem como os grandes eventos de massa, seriam a projeção, o espelho das massas. As massas se vêem e se afirmam nesses dispositivos. É na busca incessantemente de mínimos comuns que as massas se constituem como um agrupamento. Nesse sentido, as massas precisam dos clássicos (não como cânones, mas como referência básica). As massas negam qualquer valorização ao culto, à contemplação, algo típico de sociedades em castas. Exige que tudo se torne próximo a ela. Eis a sua potência.

Contudo, torna também o mundo e as coisas  “transitórias e repetitivas”, como forma de romper com a unidade e a duração dessas mesmas coisas.

Ser massa significa a prática de uma subjetivação que valoriza a repetição e a transitoriedade como maneira de ruptura com a unidade (as coisas devem ser experimentadas uma só vez) e com a duração (as coisas devem durar para sempre).

Nesse mundo novo, a lógica de massa passa, de forma inevitável, pelo esquema emissor-receptor. O emissor é o pólo da representação, que é uma função imutável nessa sociedade.

Do ponto de vista político, as primeiras seis décadas do século XX vêem a concretização dessa figura das massas encarnadas em determinados tipos sociais, sendo o mais dramático o operário fordista, que Chaplin imortalizou em seus tempo modernos. A era da “execução perfeita dos movimentos”, o legado da técnica, marcou a dramática história social contemporânea: repetição, trabalho autômato, burro, cuja principal produtividade residia na capacidade de adestramento do corpo, agora extensão corpórea do maquinário mecânico. Foi Michel Foucault que melhor desvendou as relações de poder entranhado na sociedade das massas industrial. Para ele, somente técnicas disciplinares conseguiam gerir as massas: controle da população, medicina social, higienização urbana, hierarquização dos corpos na cidade (o lugar da produção, o lugar da reprodução), enfim, toda uma gama de dispositivos que funcionavam para docilizar os corpos, agora tornados produtivos. Mas um certo tipo de corpo produtivo. Um corpo que tinha a consciência de sua força de trabalho, que tinha “consciência de seus objetivos”, a vida regrada por aquilo que está fora de si. A vida só existe se o objetivo for alcançado.

Esse homem-massa possui a qualidade de poder deslizar sobre diferentes trabalhos, pois depende apenas da energia e do corpo adestrado para ser produtivo.  É o que alimenta a produção, mas, sobretudo, o consumo de massa. O acesso aos bens de massa – duráveis ou não -, mediante ao salário valorizado, gera um ciclo virtuoso de conquista do mercado consumidor. Não é só consumo e produção que são massificados. As próprias lutas sociais são de massa, embora restritas e quase sinônimas de lutas operárias.

A vida é então profundamente atravessada pelo tempo da produção fordista. Casa, fábrica, casa. Os tempos bem determinados. Tempo do trabalho (que se realiza na fábrica) e o Tempo da reprodução (o espaço do lazer, da educação, saúde, cultura etc).  Essa homogeneização da vida marca bem esse momento histórico, sendo a televisão o seu meio mais representativo.

Como afirma Lazzarato (1998, p.67):

Na fábrica, o taylorismo radicaliza cientificamente a redução do corpo a organismo. O Welfare articula e dispersa a população em processos de reprodução, multiplicando as figuras de sujeição (controle e instituição da família, das mulheres e das crianças, da saúde, da informação, da velhice etc). O espetáculo articula e multiplica o público em uma relação cada vez mais estreita entre comunicação e consumo, requalificando também o político.

Nesse sentido, massa se constitui como um elemento de cálculo. Como gostava de afirmar Adorno, o indivíduo se torna objeto da indústria, e não o seu sujeito. A televisão, veículo eletrônico que faz fundar o “acontecimento” (a forte aderência do espectador ao presente), carrega a compreensão de que o mundo está em ordem. Ocupa, nessa época,  a centralidade entre os aparelhos de percepção. Isso acontece em sentido geral, independente da ideologia que se carregava na época, pois que o socialismo real usava a mesma estratégia de produção taylorista, a mesma dinâmica disciplina do trabalho. O fascismo também já utiliza o taylorismo como dinâmica dos próprios campos de concentração. É curioso saber que o taylorismo é uma tecnologia de campo de concentração, de altíssima disciplina, de degradação do corpo.

Esses dois filmes demarcam muito bem o nível de histeria que constitui essa fase, considerada “a era de ouro” do capitalismo, inscrita por um pacto entre capitalista industrial fordista, welfare e espetáculo de massa. Há várias razões que explicam a fratura desse sistema, sendo a crise salarial a mais forte delas, provocado pelos movimentos de recusa fabril que se espalha pelo mundo inteiro (no Brasil, sobretudo, a partir do final da década de 70). Mas a negação da disciplina não se limitou à fábrica. Ao contrário, surgiu de um forte movimento no campo da cultura. Um curto-circuito que explode em 1968. Uma reação em cadeia contra o autoritarismo disciplinar em suas diferentes instituições (escola, família, hospital, arte, fábrica, etc). Os movimentos culturais e sociais abrem a possibilidade de construção de novas mentalidades sobre o mundo, a partir da construção de novos (ou a renovação dos) valores sociais, em que no centro está a defesa de novos agenciamentos baseados na expressão e na invenção como condições de produtividade social, em contraponto à disciplina burra e autômata. Trata-se de ações confusas, fragmentadas em diferentes sujeitos sociais, descentradas em distintas causas, em que a emancipação não significa revolução comunista, mas a revolução na mentalidade. Não é à toa que um dos lemas da época era: “Quando penso em revolução, penso em fazer amor”. E não é à toa que, mesmo podendo tomar o poder, os manifestantes de 68 hesitam, porque não havia ali um princípio de ordem. Interessante lembrar que o método da assembléia, dos porta-vozes e dos delegados brotaram como formas de organização daquele movimento de 68. A ação direta – sem Estado, sem Partido – é experimentada dentro desses movimentos (e vai se tornar, depois, a própria filosofia da internet). Reunião de grupos, sob decisão assembleística, constituem a liberação dos movimentos também dos processos disciplinares dos movimentos sociais. A ação direta nasce como um ato desses coletivos e faz incentivar o surgimento de outros pequenos grupos com suas causas a defender, também sem intermediação de qualquer instituição. O que para alguns é a gênese da revolução molecular, para outros, a crise do comando disciplinar como capaz de mobilizar e convencer toda a sociedade a produzir de forma hierarquizada e autômata. É paradoxal que tudo issoo ocorra num período de ouro, de forte crescimento econômico mundial, sem contar os avanços associados a isso, como alto consumo de bens duráveis, ampliação do acesso aos serviços coletivos, novos métodos contraceptivos (sobretudo, a pílula anticoncepcional), enfim, toda uma gama de conquistas que acabaram servindo como fermento para uma turbulência cultural.

III. a subjetividade-rede [próxima aula]

Le desordre c’est moi.
(um dos muitos lemas de maio de 68)

Maio de 68 inaugura a fase da afirmação dos direitos. “Ter direito aos direitos”, como se diz na época e é repetido até hoje. Esse estopim de movimentos identitários (negro, gay, feminista etc) e dos ligados a determinadas causas (ambiental, contra a fome, saúde, transporte público, comunicação, movimentos comunitários etc) fazem modificar o estatuto teórico da resistência, alargando a definição para além dos muros fabris. E, sem sombra de dúvida, essa mentalidade molecular se torna o plano subjetivo para a origem, por exemplo, das organizações não-governamentais.

A lógica da classe é metamorfoseada em novas concepções (a que eu gosto mais é a de multidão). POis bem, é essa atmosfera de pensar o impossível que se tornou o terreno para a constituição de um outro movimento também : a contracultura. Esse movimento é uma das chaves de compreensão da gênese da internet, junto com esse caldeirão de mutação no conceito de classe, movimento e poder, que é inaugurado no 68 francês.

De qualquer forma, é esse contexto de diluição da classe em uma multidão de singularidades que faz emergir o que chamo de subjetividade-rede. Tema da próxima aula junto com o debate sobre a contracultura.

internet e política, por Steven Johnson 11 abril, 2009

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No Roda Viva, Steve Johnson opina sobre a relação entre internet e política, provocado pelo Marcelo Tas.

De Porto Velho a Macapá 31 março, 2009

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Porto Velho-RO passou. A cidade é indiferente.  Mas tem o Zé, do Banzeiros. Grande figura que vai ajudar dar um gás na blogosfera por lá. Então foi uma estada difícil. Mas havia o rio Madeira. Havia aquela barcaça. Havia o boto. Passear na barcaça me deu a mesma sensação quando estou de frente para a praia. Calma, muito calma. Só foi 1 horinha. Nada mais. Chega a hora de ir para Macapá.

Cheguei a Macapá bem tarde. 1 hora da matina. 6 horas de vôo. Lia na viagem Foucault, que me perturbava (“ouvir é patético e lógico”, dizia). E eu pensava sem parar (, meio que, é…) para tentar chegar a uma hipótese sobre por que blogamos. Confissão? Fluxo de pensamento? Portar verdade? Relacionar-se? Eu lia A hermenêutica do sujeito com uma dose de esperança na filosofia para me fazer entender qual é a subjetivação da blogosfera. Eu registro, eu deixo uma memória. Ok. Mas por quê? Tem coisas que a gente só precisa guardar na memória… Aí, ao ler, eu fui me deparando com o fato de que blogueiro não escuta… Gosta de ver e escrever. É, portanto, tato e visão. Foucault explicava o que é ouvir e escrever muito facilmente, ele relatava a gênese do diário, localizando-o na história como um dispositivo de escrita que faz do sujeito um produtor de verdade de si (na Antiguidade, só os filósofos conduziam o sujeito à verdade, depois o cristianismo criou a confissão como uma estratégia para o alcance da verdade pura). Mas, depois da Reforma, o diário revoluciona a subjetivação, pois que se trata da escrita que busca uma verdade de si para o outro.  Tô confuso… porque blog não é diário, mas pode ser também.  E ninguém criou o blog na revolução protestante. Aí, fiquei filosofando. Desisti, pensei que estava longe de casa, do filho, da mulher, dos meus alunos, amigos. E volto pra filosofia. E volto para casa. Casa-filho-e a mala vem vindo… “Puts, tá toda suja minha mala vermelha”, “A Francis vai detestar”. A mala é dela. O vermelho foi idéia minha. Mas a posse é dela. 🙂

O táxi não chega. Chega. Entro. Saio. Hotel ruim (nem tanto, mas tem mosquito). Durmo. Café. Internet e Foucault. Outro hotel. Calor. Rio Amazonas é lindo. É maior que a praia em frente de casa. Durmo. Estudo. Internet.

(…) (…)  zzzzzzzzzzzzzzzz Ai, meu Deus, que horas são?

são 17h30

Enfim, reunião de blogueiros, novos amigos. 18h.  Estou em terceira pessoa. Sem visão, sem tato. Agora só quero escutar. Patético (passivo) e Lógico (a verdade vai entrar pelo ouvido). Foucault, me ajuda.

Abraço Alcinea Cavalcanti. Depois digo oi para todo mundo. Todo mundo conta história do seu blog. E, eu pensando, não quero anotar nada. Só quero ouvir. Todos: “a internet chega via rádio”. A liberdade acontece à noite em Macapá.  É quando a imaginação chega. Antes, casa-trabalho-casa. Eu sou de fixar preso a frases soltas. Narrar me cansa, inventar um caminho me fatiga.  Eu fiquei ouvindo coisas tão bonitas de por que cada um resolveu aparecer ao mundo, e boom, escrever. Dulci resolveu blogar por que sua expressão não cabia no relise, única linguagem possível no seu cotidiano. Criou o blog Além do Release. No final, só queria construir a verdade com o outro. “Sentia falta de ter pares”, conta.

Havia aqueles que desistiram do blog. Mas continuavam blogueiros. Esquisito? Não. É porque há um momento em que o blog não encaixa na gente. Aí deixamos o tempo sem tempo. Em suspensão. Depois a gente volta. Com um novo nome, uma nova verdade a construir e defender. Depois, ela se sedimenta. Começamos tudo de novo. O blog não muda nem de nome, nem de casa. Muda de gente mesmo. “Eu tô parado, mas vou voltar”, dizia o Alípio, que saca de sistema de informação, hacker de primeira. Especializou-se em tornar público falcatruas dos gastos que estão escondidas nas inúmeras tabelas dos bancos de dados em linguagem mysql. Adora desvendar os valores de empenho de governos. O Alípio é tímido. Mas tem domínio próprio. Foi intimado pela família Sarney. Divulgou matéria da Veja sobre o escândalo da grana do marido da Roseana Sarney. 2002. Alípio agora faz mestrado em Desenvolvimento Regional.

Há os que estão num ritmo mais lento. Porque Aprendem. Alfabetizam-se. Ou porque o blog não era dele. Era de alguém que queria trabalhar com a juventude. A juventude passou, e o blog não tem para onde ir. Normal, Patrique. Guarde o blog, pois mais juventude vai chegar. Mas estão a criar um território para a cultura, onde o tempo não possui premência. Ou num ritmo mais lento. “Eu não tiro férias do meu blog, eu digo que estou devagar”. Mesmo na viagem, um post pode brotar. Então, fiquemosssss de v   a   g      a    r       z  i   n  ho ooooooo. É um vexame romper o pacto ético do ócio. Tem coisa pior que dizer que se está de férias e dar uma passadinha no trabalho. Então o legal é “estar devagar”. Adorei, Alcinele. Vou copiar.

Por falar na Alcilene, seu blog recebe diariamente relises da galera das assessorias. É a principal blogcolunista local. Faz tanto sucesso que, depois que colocou um anúncio de aniversário, sua caixa de email vive entupida de pedidos de notinha. “Ô, Alcinele, tem como colocar a notinha de aniversário do meu chefe?”.  Querem torná-la colunista social.  Ele resiste. Rimos um bocado. De doer a barriga.  Ela atualiza o seu bichinho à noite. A família reclama do computador ligado (esse povo de hoje, né!, só vive no computador). É gestora no Ministério Público. Mas quer ter mais um blog, um de culinária. Foi outra vítima da censura do Sarney. O blog virou poeirinha. Depois voltou.

A da irmã, a Alcinéia Cavalcante, também foi pro ralo. Nossa amiga, que liderou o movimento Xô, Sarney na web se tornou blogueira muito respeitada no Brasil inteiro. “Conheci tanta gente boa por conta disso”, conta rindo à toa.  A campanha gerou 50 mil páginas mundo à fora. E uma indenização moral (Égua! Vê se Pode isso!!) ao Sarney de R$ 2 milhões. “Eu sou abusada”, diz. A história dela é longa (não vou contar aqui tudo, porque não sou bobo, vou guardar para o livro sobre blogueiros brasileiros que fazem realmente a diferença). É respeitadíssima pelos pares. Deve ter lá suas contradições, mas tem convicção com elegância. Usa a elegância para superar a censura. A última começou com a negação da credencial para cobrir o Carnaval do Amapá. Sacanagem, é fundadora do Carnaval daqui. “Sem problemas. Não preciso de credencial para cobrir o carnaval”. Engalfinhou-se pelo povão. E retratou no blog os serviços que eram oferecidos à população. “Nossa, a Alcinéia colocava fotos dos banheiros do sambódomo, imundos,  impossíveis de usar, com fezes deixadas no chão em sacolas de supermercado”, disse a Dulci. Sony Cibershot poderosa…

Foi um escândalo. O banheiro e o cocozão. E Alcinéia ri. “Se eu tivesse credencial, não iria ver nada daquilo”, brinca.

Na mesa, tinha também poeta, jornalista e atriz. Adorei ler o Égua não e o Neste Instante.  A Kiara Guedes edita ambos. É atriz, poeta, é empresária. É inquieta mesmo. Diz que estão a viver um momento de liberdade para se expressar, mesmo com os constrangimentos impostos pela censura dos políticos locais e da subserviência descarada de algo chamado de imprensa (não é, não é não). Antes eram estátuas vivas. Cansaram de brincar de ficar parado.  Agora alguém toca no corpo,  fazendo- reviver. “Estamos tocando uns aos outros, acordando e ficando ativos”. Quer ter um blog com design mais arrojado. É a mais vaidosa do grupo. Vaidade boa. Auto-estima lá em cima. Por causa dos seus poemas virtuais, é conhecida e tem seguidores.

Tudo soa politizado nessa mesa. Explico um pouco quem sou eu (negócio complicado sempre). Tiramos fotos. Conversamos mais. Fizemos planos. Comemos o bolo de milho que Alcineia indicou (lembrei da minha avó, a italianada, “vó, tenho que visitá-la”, ai que culpa por isso, normal). Todos se vão. Eu e Alcinéia papeamos, vamos tocando um noutro. Nada de estátua mais. Falamos de política, da vida, do táxi. Ganho uma carona. Chego ao hotel.

Encontro Foucault. Arguo: quem disse que blogueiro não ouve? Patético e lógico fico.

Amanheceu. Tô com saudade do Pedro. Beijos, filho, agora deves estar no mais pesado dos sonos.

E na televisão passa Big Brother, um monte de gente transformada em estátua.

É isso, Um “post escrito de ouvido”.

Conversa com blogueiros queridos do Amapá. A companheira Alcinea Cavalcanti, ao meu lado, à direita.

Conversa com blogueiros queridos do Amapá. A companheira Alcinea Cavalcanti, ao meu lado, à esquerda.

Negri sobre a crise 17 novembro, 2008

Posted by Fabio Malini in Pensamento Negri, política.
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Tá aí uma entrevista do Antonio Negri sobre a crise financeira:

Dado que la globalización no es un sueño, sino un realidad, esta crisis, -que ha estallado desde abajo en EE.UU, donde no ha sido una crisis bancaria inventada, sino surgida de un déficit de gasto que debía sancionar la paz social; y cuando este déficit ha saltado por los aires, la crisis ha estallado por esto- se está expandiendo a todo el mundo, porque el mundo es global y no hay soberanía, ni Estado soberano ni banca nacional que pueda defenderse. Llegados a este punto hay dos caminos absolutamente evidentes. Por un lado está el tránsito del nivel financiero al nivel empresarial, de la producción en general. Es una auténtica recesión económica que se impondrá en breve en todas partes. Ya ha sido ampliamente anunciada: todos los índices de crecimiento para el año próximo se limitan para los países centrales a un crecimiento del orden del cero coma algo, para los países emergentes de cifras de un dígito, llegándose al 10 por cien de forma muy excepcional. Por lo tanto, se estabiliza la recesión, es decir, se estabiliza lo que es una gran destrucción de riqueza pública. Aquí nos encontramos con interpretaciones muy extrañas que vienen de personas de la derecha que fingen una autocrítica diciendo: “Ah, estos banqueros delincuentes nos han dejado sin blanca!” El hecho es que las finanzas se han convertido actualmente en un instrumento productivo como los demás. Ya Marx reconocía ampliamente que las finanzas eran un instrumento fundamental para ampliar el campo de las inversiones. Dentro de la globalización, por ejemplo, todo el proceso que ha llevado a países enormes como China e India al umbral de la madurez industrial, todo el gran desarrollo de autonomía, fuera de la dependencia, que se ha dado en América Latina, no hubiera sido posible sin los grandes recursos, la gran organización de las finanzas. Por otra parte, hoy es difícil distinguir el capital productivo de bienes materiales del capital que se organiza en las finanzas. Por el contrario, es casi imposible, no hay posibilidad de distinguir el beneficio de la renta, y la renta financiera se ha tornado absolutamente hegemónica. No hay ningún gran industrial italiano que no esté también en Mediobanca: es decir que no decida los destinos financieros del país con todo lo que ello supone. El problema central es comprender cómo hacer para parar esta deriva: yo creo que esto solo puede hacerse relanzando completamente la capacidad de las poblaciones, de la gente que trabaja, de reconquistar sus niveles de ingresos y por lo tanto de reabrir circuitos de vida, de consumo y de relativa liberación dentro de este ámbito. Pero todo esto no puede hacerse sino a través de las luchas, porque está claro que la forma en la cual hoy el capital se afirma es mediante la represión del consumo más elemental, del consumo de reproducción, por supuesto en los niveles que hemos alcanzado. Y en ese plano se trata de luchar porque –si ahora los capitalistas quieren reconstruir sus fortunas, ¿qué hacen?– deben continuar oprimiendo, comprimiendo las necesidades de subsistencia y reproducción de las multitudes y esto me parece muy difícil.


ciberpolítica e eleições 2006 30 abril, 2008

Posted by Fabio Malini in Blogs, cibercultura, jornalismo, política.
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No site da revista científica Razon y Palabra (super indicável!), há a introdução do livro Ciberpolítica, de Carmen Fernandes,  que destrincha o impacto do uso da internet nas eleições até o ano de 2006.

Na Intercom Sudeste 2008, assino, junto com o Gabriel Herkenhoff, o artigo A disputa pela produção dos sentidos nas eleições de 2006: a emergência de uma opinião distribuída. O trabalho busca empreender uma análise do papel da Internet, no que tange suas possibilidades de produção de conteúdo (especialmente blogs, Orkut e You Tube) nas eleições presidenciais brasileiras de 2006 e sua vitalidade na construção de um campo de batalha pela produção de sentidos.

Negri no Clarin 23 agosto, 2007

Posted by Fabio Malini in américa latina, império, Pensamento Negri, política.
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Uma boa entrevista do Toni Negri dada ao Clarin. No melhor do seu estilo, o filósofo italiano provoca o pensamento de certa esquerda latino-americana, ao afirmar que “está convencido de que o que ocorre na América Latina é a queda de um nacionalismo ligado à concepção de nacional-desenvolvimentismo”.

Para terminar, ao ser perguntado sobre a sua opinião sobre o fechamento da RCTV na Venezuela,  Negri lasca mais essa:

Me parece uma espécie de ataque de raiva mais do que uma política. O grande problema que Chávez ainda deve explicar é como organizar uma democracia da imprensa. É claro que hoje a imprensa venezuelana não é democrática, mas isso também não se consegue com nacionalizações ou estatizações. Há que  se sair dessa separação simples privado-estatal.

Mídia Brasileira e Matrix 4 agosto, 2007

Posted by Fabio Malini in crítica, matrix, política.
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Muito apropriada a crítica que Breno Giuseppe faz da mídia brasileira, com imagens do filme Matrix. “Tá no Youtube”.